“Si-lên-cio…”
O Ministério Público convidou os clubes para um termo de ajustamento sobre torcidas organizadas. Coritiba e A. Paranaense não foram, pois dizem que não compactuam com a existência dessas associações.
O texto é duma coluna assinada pelos jornalistas Elaine Felchacka, Nadja Mauad, André Pugliesi, Fernando Rudnick, Nícolas França, que foi publicada na edição de domingo, 31 de janeiro, dum jornal curitibano.
Erro da diretoria da dupla AtleTiba. Sabendo o que ficou proposto para as organizadas, delas se pode cobrar.
Ir ao encontro promovido pelo Ministério Público, entidade que melhor está se ajustando à REALIDADE dos movimentos sociais das torcidas organizadas ao estudar seus comportamentos, costumes e características, buscando informações técnicas e científicas e adotando medidas para correção e punição pelo comportamento dos maus torcedores, não significa necessariamente compactuar com a existência das organizadas.
Não se trata de apoiar ou não apoiar as organizadas. A realidade é uma só: elas fazem parte do futebol. Vai além, vai na busca de soluções para minimizar os problemas com elas relacionados. Se elas devem ser extintas? A discussão, neste momento, tem outro rumo, já que elas não foram extintas pelas autoridades. A discussão passa necessariamente pela busca de como, onde, quando e o quê fazer para ter um controle de maior efetividade sobre elas.
Discursos do tipo “fim das organizadas”, por mais justos que fosse, continuariam sendo só discursos. Por mais acertados que fossem (não é a minha linha de pensamento), não é uma REALIDADE, pelo menos neste momento, pois é um fato: as organizadas continuam.
Não se trata duma visão simplista de “ser a favor ou contra as organizadas”. Vai muito além. Se trata de saber como elas funcionam e com este conhecimento adaptar seus modelos de segurança nos estádios com medidas concretas, factíveis, para reduzir os problemas relacionados à violência.
As diretorias da dupla AtleTiba simplesmente não foram ao evento. Simples assim… Que fossem ao evento, deixassem claro que são contra a existência das organizadas, mas que fossem tomar par das medidas e debatê-las, pois a LEI FEDERAL, o Estatuto de Defesa do Torcedor, em seu artigo 14, dá textualmente aos dirigentes dos clubes de futebol a responsabilidade pela promoção da segurança do jogo de futebol.
E a imprensa? Até onde acompanhei, ficou nesta nota com cerca de trinta palavras… Depois do ocorrido em 06/12, é pouco. Poucos informam, menos ainda opinam… Até haver mais um conflito relacionados a torcidas…
Como sócio do Coritiba, lamento pela atitude da diretoria que não foi ao evento do Ministério Público.
Ao participar destes trabalhos promovidos pelo Ministério Público as diretorias estariam coletando informações que poderiam ser úteis para os sistemas de segurança nos estádios da capital. Ao se afastarem da realidade social destes movimentos, a tendência é terem problemas nas organizações dos grandes jogos, com modelos de seguranças capazes de diminuir o índices de violência, que é um fator sócio-ambiental e assim precisa ser tratado, dentro duma REALIDADE.
O modelo de combate à violência passa necessariamente por medidas preventivas e punitivas. Na área preventiva, a informação, a gestão do conhecimento e o investimento em infra-estrutura são indispensáveis. Ao se afastarem da informação, os clubes perdem em conhecimento e terão dificuldades para acertar no investimento adequado em infra-estrutura.
O AtleTiba está chegando… e é bom as diretorias da dupla se espertarem em manter um modelo de segurança compatível com a dimensão do clássico.
ESTA É UMA OBRA DE FICÇÃO. QUALQUER SEMELHANÇA COM A VIDA REAL É MERA COINCIDÊNCIA…
Desde 1998 procuro saber mais sobre os projetos de segurança no futebol relacionados aos movimentos de torcedores.
E a cada dia me convenço mais e mais que, na ótica dos dirigentes brasileiros, a preocupação maior não é a segurança pública envolvida com as organizadas. É sim, o aspecto financeiro que gira em torno delas, os tais marca, royalties, marketing… Será que é isto mesmo?
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