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Quem piscará primeiro?

Quem piscará primeiro?A diretoria do Coritiba está jogando alto no quesito preço de ingressos e planos dos sócios. Ao encarecer e muito ingressos e plano de sócios, uma medida cujo resultado é a elitização do futebol, fico me perguntando qual o fundamento técnico para tal decisão. A questão é: dará certo? A meta de 20 mil sócios até o fim do ano será atingida? Não faltará dinheiro antes do fim do ano e o time terá que subir e precisará contar com mais torcida no campo?

O perfil do “consumidor” do Coxa é diferente do “consumidor” do time da Baixada. Teorias à parte, os conceitos acadêmicos de como fazer o futebol paranaense são bonitos só na teoria mesmo, pois na prática, o futebol daqui está muito fraco.

As decisões terão suas consequências naturais. O torcedor, um “consumidor” de hábitos muito mais fortes do que clientes de banco, seguradoras, lojas de eletrodomésticos, supermercados, postos de combustível, irá cobrar na mesma medida um time com futebol compatível ao preço cobrado. É a medida do “troco” emocional.

Percebo uma revolta contida, quase que silenciosa. Muita gente quer pagar para ver o time, mas não tem condição de pagar. Afastar o torcedor do time é uma medida muito arriscada. O desabafo virá em forma de cobrança.

O ano é muito longo, o Paranaense não é, definitivamente, parâmetro para o ano, o supermando, SE conquistado, aumentará a responsabilidade do time em conquistar o título regional. E, para o Brasileirão da Série B, o time precisará encorpar fisicamente, pois é uma competição de muito contato físico, de muitas faltas. O toque de bola e a velocidade vista até aqui podem não funcionar como estão funcionando no regional. É uma competição dum estilo muito diferente do PR 2010. E quando a rivalidade começar a esquentar durante o Brasileirão, a cabeça do torcedor Coxa ficará mais quente e a paciência acabará rapidamente.

Com o passar do tempo, novas alternativas de receita terão que ser obtidas. O time ficará uns 40 dias parado durante a Copa, mas as despesas operacionais com o futebol continuarão, já que haverá necessidade duma intratemporada, algo que custará caro para o momento financeiro do Coxa.

Como o Cori tem atletas com salários altos para a situação financeira do Clube – que é trágica devida a má gestão financeira do último biênio -, como Jeci, Pereira, Marcos Aurélio e Édson Bastos, a necessidade de fazer caixa será uma consequência natural durante o ano. Como uma negociação com o goleiro Vanderlei não deu certo, alguém terá que ser negociado.

É um jogo arriscado buscar o fortalecimento do plano de sócios aumentando o valor do ingresso. Não deu certo em 2008 e 2009, tanto que as promoções de ingressos voltaram em 2009. Em 2008, o título regional conquistado com o time base do ano anterior, que vinha duma subida de série conquistada na base da emoção, permitiu ao Coritiba capitalizar mais em rendas, bem mais do que ocorrera em períodos anteriores. Mas isto não se repetirá este ano.

A tendência natural é o afastamento do torcedor. Atingir 20 mil sócios até o fim do ano (são 12 mil atualmente, dito pelo vice Vilson Ribeiro de Andrade, em entrevista na rádio 91 Rock, dos quais entre 6 e 7 mil em dia), é uma meta arrojada. Acredito que será difícil de ser alcançada e não é aumentando o preço do ingresso que estes números melhorarão.

A torcida Coxa não tem o costume de se associar. Planos feitos desde o início da década mostravam que 2/3 da média de pagantes vinha das bilheterias e não dos planos associativos.

O panorama futuro é complicado para a diretoria. Se a pressão ainda não apareceu, amenizada pelos 7 jogos invictos, o panorama pode mudar rapidamente, como o clima na cidade de Curitiba. O Brasileirão é muito longo, muito competitivo e muito difícil. Salários em dia são necessidades iminentes. Por isto, o dinheiro terá que ser feito, ou com a negociação de atletas – o que aumentará a cobrança da torcida – ou com o aumento da receita de sócios e de rendas, a escolha mais fácil para os dirigentes. Então, a diretoria teria que ceder e voltar atrás, diminuindo preço de ingressos e de planos de sócios, algo que o vice-presidente disse que não irá ocorrer.

Se tivesse que apostar em quem irá piscar primeiro – a redução dos valores pela diretoria ou o aceite dos valores pelos sócios durante os próximos 23 meses -, se a diretoria ou a torcida, apostaria na diretoria.

Foto: Mariana Gugel

Autor/Fonte: Luiz Carlos Betenheuser Jr.
Publicação: 12/02/2010
marcelo_fru@hotmail.comNº 688 | Marcelo I.A.V ›› 25/03/2010
BOA LUIZ!

http://blogdoserpentista.vox.com/

OST+IAV
tiagueraera@hotmail.comNº 31 | TIAGO IMPERIO LOKOooOooOo ›› 01/03/2010
diretoria vagabundaaa!!!
 

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